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domingo, 24 de fevereiro de 2013

IM.PRES.SIO.NAN.TE - das nossas crianças


Isto é serviço público - aconselho mesmo a todos a visualização e a reflexão sobre o tema.


(ou, se o vosso PC for jarreta como este meu, vejam no youtube, aqui)

Gente, isto é uma questão que me preocupa todos, mas mesmo todos os dias. Quando tiver filhos, como vou fazer? Certamente terão tendência para engordar, já que a minha também é genética (vem do lado da família do meu pai, que embora fosse magro em adulto, foi uma criança e jovem gordinho, e a tendência passou para mim e para o meu irmão). Penso que enquanto forem pequeninos e não tiverem noção de guloseimas - que farei questão de não lhes apresentar enquanto o puder evitar - vai ser relativamente fácil, mas e depois, na pré-primária, na escola e, pior, quando começarem a ter a sua própria mesadita, no ciclo?

Lembro-me da minha mãe, quando eu era criança, nos late 80's early 90's, se angustiar imenso quando me mandava na lancheira saudáveis sandes e frutas, que eu trocava com os outros miúdos por bollycaos e biscoitos (sempre me perguntei quem seriam aqueles miúdos, que na altura achava parvos, mas hoje acho que eles é que sabiam, que trocavam os lanches açucarados que os pais lhes mandavam pelo saudável e consciente conteúdo da minha lancheira). A partir do 5.º ano então era uma miséria - tinha a minha semanada para gerir e não havia dia em que, no intervalo grande das aulas, não fosse ao bar comprar um enorme bolo. Ou um chocolate. Ou ambos. Em frente à escola em que andei do 5.º ao 9.º ano havia três "papelarias", que competiam entre si na quantidade e variedade de gomas, balas e rebuçados que vendiam aos miúdos. 

Não quero que os meus filhos sejam obesos, porque conheço na pele o sofrimento e os problemas que isso traz. Felizmente nunca tive qualquer doença relacionada com a obesidade, o que não me liberta de vir a ter ou de os meus filhos virem a ter. Vou fazer tudo para o evitar, inclusive mostrar-lhes este documentário, quando tiverem idade para o compreender. Resta-me esperar que a minha "lavagem cerebral" surta efeito e que as escolas de hoje tenham mais e melhor noção do que pode e não pode ser disponibilizado para crianças comerem.

E vocês, o que fazem para que os vossos miúdos não comam porcarias a toda a hora? Há muitas birras culinárias aí por casa? 

PS - Adoro o Jamie Oliver e a sua missão de educar as pessoas, sobretudo crianças e pais, ensinando-os a comer bem. A série dele relacionada com a implementação de refeições saudáveis nas escolas do Reino Unido também é impressionante - o único vegetal que aqueles miúdos conhecem é a batata...frita!

PS2 - Viram que perdi dois quilos? Estou contente!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

a história I


Sempre fui uma miúda gordinha. Isso não me incomodou muito até ao secundário, primeiro porque sendo gorduchinha não era obesa e depois porque isso não afectou em nada a minha vida até à adolescência. Claro, a partir aí do 5º ano levei gozo dos outros miúdos, mas toda a gente levava - era o do aparelho, o dos óculos fundo de garrafa, a das pernas de alfinete, o do cabelo oleoso, a das borbulhas, o que nunca mudava de roupa, a betinha parva, a marrona, enfim.  A idade do armário faz parte da vida, enrijece o carácter e não advém daí (na maior parte dos casos, não estamos a falar de bullying a sério) grande mal. No entanto, sempre fui uma criança e adolescente alegre, com muitos amigos, boa aluna e popular.


Rico Rodriguez, o "Manny" de Modern Family - a melhor série de sempre

O problema começou no liceu. A pernas de alfinete ganhou corpo, a das borbulhas ficou com pele de bebé e eu...eu engordei. Engordei a sério. Começaram as saídas à noite para a discoteca, as trocas de roupa entre amigas, os namoricos e as "curtes", e tudo isso me passou ao lado. Apesar de continuar a ter muitas amizades, algumas que duram até hoje, o meu grupo passou a ser sobretudo de raparigas, porque os rapazes...esses já só viam miúdas à frente e eu não encaixava nos requisitos pedidos - era gordinha e baixinha. Cheguei aos 86 quilos. Saía à noite com as amigas, mas não via grande interesse naquilo - passada a novidade d' "o que é uma discoteca" era sempre o mesmo, as amigas iam lá para conhecer rapazes, davam  uns beijinhos e eu nada. Não podia trocar roupa com elas, pois eram todas magrinhas. Nas conversas sobre rapazes não tinha muita coisa a dizer. Tornei-me a "melhor amiga" em vez de ser a protagonista da minha vida. Aborreci-me.



Com 16 anos, fiz uma super-dieta durante vários meses - não comi doces, nem fritos nem porcarias, almoçava infalivelmente peixinho grelhado com arroz e salada (cozinhado para mim, pois claro), comia snacks saudáveis (tipo...fruta) e jantava sopa ou ocasionalmente carne grelhada com salada. Madrecita sempre me deu inabalável apoio na minha decisão e encorajava-me quando me sentia prestes a desistir (aliás, como ainda hoje <3). Comecei a ir ao ginásio. Naqueles tempos era aeróbica e musculação e pronto, não havia cá grandes variações. Eu era mais da aeróbica. Assim, a meio do 12º ano, lá estava eu com 14 quilos a menos - 74 quilos, ainda para o cheiinho, mas nada que se parecesse com obesidade, a sentir-me em forma, com as roupas a assentarem-me bem e mais feliz. Ainda por cima tinha umas madeixas loiras novas, todas nice! O meu cabelo é castanho clarinho dourado, pelo que me ficavam bem. Cabelo é uma das minhas grandes paixões. Lá iremos.

Era mais ou menos (ênfase em mais) isto, mas em loiro ;)


a história continua...